Doenças alérgicas dos pulmões

Os pulmões são particularmente propensos a reacções alérgicas porque estão expostos a grandes quantidades de antigénios suspensos no ar, como poeiras, pólenes e substâncias químicas. A exposição a poeiras irritantes ou a substâncias suspensas no ar, frequentemente no trabalho, aumenta a probabilidade de reacções alérgicas respiratórias. No entanto, as reacções alérgicas nos pulmões não são só o resultado da inalação de antigénios. Podem ocorrer também por ingestão de certos alimentos ou fármacos.

Tipos de reacções alérgicas

O organismo reage face a um antigénio criando anticorpos. (Ver secção 16, capítulo 167) Os anticorpos unem-se ao antigénio, tornando-o geralmente inócuo. Por vezes, no entanto, quando se produz uma interacção entre anticorpo e antigénio, aparece inflamação e lesão dos tecidos. As reacções alérgicas classificam-se segundo o tipo da lesão do tecido. Muitas reacções alérgicas são uma combinação de mais de um tipo de lesão do tecido. Em algumas reacções alérgicas os linfócitos antígeno-específicos (um tipo de glóbulo branco) desempenham um papel mais importante que os anticorpos.

As reacções de tipo I (atópicas ou anafilácticas) produzem-se quando um antigénio que penetra no organismo se encontra com os mastócitos ou células basófilas, um tipo de glóbulos brancos que tem anticorpos aderidos à sua superfície e que fazem parte do sistema imunitário. Quando o antigénio se une a estes anticorpos da superfície celular, os mastócitos segregam substâncias, como a histamina, que produzem a dilatação dos vasos sanguíneos e a contracção das vias aéreas. Essas substâncias atraem também outros glóbulos brancos para a zona. Um exemplo de uma reacção de tipo I é a asma brônquica alérgica.

As reacções de tipo II (citotóxicas) destroem as células porque a combinação antigénio-anticorpo activa as substâncias tóxicas. Um exemplo de uma doença provocada por uma reacção de tipo II é a síndroma de Goodpasture.

As reacções de tipo III (complexos imunes) produzem-se quando se acumula um grande número de complexos antigénio-anticorpo. Estes podem provocar uma inflamação extensa que lesa os tecidos, particularmente as paredes dos vasos sanguíneos, criando-se um processo denominado vasculite. O lúpus eritematoso sistémico é um exemplo de uma doença provocada por uma reacção de tipo III.

As reacções de tipo IV (retardadas ou por mediação celular) produzem-se por causa da interacção entre um antigénio e os linfócitos antígeno-específicos, que libertam substâncias inflamatórias e tóxicas, atraindo outros glóbulos brancos e lesando o tecido normal. A prova cutânea para a tuberculose (prova de tuberculina) é um exemplo desse tipo de reacção.