Análises de laboratório habituais

Existe uma ampla gama de análises clínicas, muitas das quais são específicas para determinados grupos de doenças. Neste manual, como norma geral, as análises específicas são descritas com as doenças correspondentes. No entanto, muitas análises são utilizadas com frequência em várias especialidades e em medicina geral.

Os testes de detecção são utilizados para detectar uma doença quando existem poucos ou nenhum sinal de que a pessoa sofra de tal doença. Por exemplo, a medição dos níveis de colesterol é útil na avaliação do risco de doenças cardiovasculares, mas estes testes fazem-se em pessoas que não têm sintomas deste tipo de doenças. Para que os testes de detecção sejam eficazes, terão de ser exacto, relativamente baratos, implicar poucos riscos e provocar pouco ou nenhum incómodo.

Por outro lado, as provas de diagnóstico são utilizadas quando se suspeita da existência de alguma doença. Por exemplo, se o médico suspeitar de uma doença grave do coração, pode recomendar um cateterismo cardíaco. Este exame não corresponde a um bom teste de detecção, pois é dispendioso, tem efeitos secundários e é incómodo. Contudo, todas estas desvantagens são superadas pela necessidade de fazer tal exame para avaliar a doença com maior precisão.

Qualquer exame, seja de detecção ou de diagnóstico, implica determinado risco, que pode ser apenas a necessidade de fazer análises complementares no caso de resultados anormais, ou então a possibilidade de serem provocadas lesões durante o exame. O médico considera o factor risco face às vantagens da informação que as análises proporcionarão.

Nenhum tipo de análise é absolutamente fiável. Por vezes, a análise é errada, dando um resultado anormal em alguém que não sofre da doença (resultado falso positivo). Outras vezes, o resultado é incorrectamente normal (resultado falso negativo) em alguém que sofre da doença. As análises medem-se em função da sua sensibilidade (probabilidade de os resultados serem positivos na presença da doença) e da sua especifidade (probabilidade de os resultados serem negativos na ausência da doença). É improvável que uma análise altamente sensível deixe passar a presença duma doença numa pessoa que dela sofra. No entanto, o resultado da análise poderá indicar, de forma equívoca, a presença da doença numa pessoa saudável. Da mesma forma, é improvável que uma análise altamente específica não indique a presença de uma doença em alguém que dela sofra. Os problemas com a sensibilidade e a especificidade podem ser superados utilizando diversos testes. Por exemplo, uma pessoa que tenha tido um resultado positivio com uma análise muito sensível para a SIDA deverá submeter-se a outras ainda mais específicas.

As análises de rotina ao sangue fornecem com frequência informação errónea, provocando ansiedade e gastos desnecessários. Quando se utilizam sequências múltiplas (ASM), para fazer várias séries de análises ao sangue, os resultados falso-positivos são muito frequentes . Só por efeito do acaso se espera pelo menos um resultado falso positivo em 50% dos pacientes submetidos a 12 testes (ASM-12) e em dois terços dos que tenham sido submetidos a 20 testes (ASM-20). Pode ser necessário repetir as análises em pessoas que tiverem resultados anormais, ou então submetê-las a testes complementares quando o médico não tiver a garantia de que os resultados obtidos são verdadeiros ou falsos.

Os resultados das análises normais são expressos numa escala de valores baseada nos critérios de avaliação média, obtidos na população saudável. 95% das pessoas sãs tem valores dentro dessa escala. No entanto, estes valores apresentam alguma variação conforme o laboratório.