Sufocação parcial

A sufocação parcial é a falta de oxigénio (asfixia) que ocorre ao permanecer muito tempo submerso, embora não provoque a morte.

Permanecer debaixo de água durante muito tempo provoca uma grave falta de oxigénio no sangue. A laringe, que é a primeira parte das vias respiratórias, sofre um espasmo de carácter grave que obstrui a passagem do ar. Finalmente, a água entra na laringe e enche os pulmões. Quando estes se enchem de água, o oxigénio não pode passar para o sangue. Por outro lado, diversas áreas dos pulmões colapsam, piorando ainda mais a sua capacidade de oxigenar o sangue.

O reflexo de imersão, que foi descoberto nos mamíferos aquáticos, permite sobreviver após longos períodos de imersão na água fria. O impacte desta sobre os pulmões estimula este reflexo, faz com que o ritmo cardíaco se torne mais lento e permite que o sangue destinado às mãos, aos pés e aos intestinos se dirija para o coração e para o cérebro, o que ajuda a preservar estes órgãos vitais. A água arrefece os tecidos do corpo e, como com temperaturas mais baixas eles necessitam de menos oxigénio do que a temperaturas mais elevadas, a sobrevivência debaixo de água pode prolongar-se.

A sufocação parcial pode danificar gravemente os pulmões e as dificuldades respiratórias (que reduzem a quantidade de oxigénio que chega aos órgãos vitais) são o maior problema nas horas e nos dias posteriores ao episódio. A sufocação parcial pode alterar o volume e o conteúdo do sangue. A água salgada nos pulmões faz com que entre líquido da corrente sanguínea nos pulmões; a água doce também danifica os pulmões, permitindo que passe líquido da corrente sanguínea para os mesmos. A aspiração de água doce também pode aumentar o volume sanguíneo, provocando desequilíbrios químicos e a destruição de glóbulos vermelhos.

Tratamento

Os factores-chave que influem nas possibilidades de sobrevivência sem que permaneça lesão cerebral, cardíaca e pulmonar permanente são a duração da imersão, a temperatura da água, a idade da vítima (o reflexo de imersão é mais activo nas crianças) e a rapidez em conseguir a reanimação. A sobrevivência depende principalmente da rápida recuperação da respiração e do funcionamento pulmonar para que o oxigénio possa chegar aos órgãos vitais.

Se a vítima não respirar, deve-se fazer-lhe respiração boca a boca de imediato (inclusivamente dentro de água). Se não se detectar batimento cardíaco, dever-se-á fazer uma ressuscitação cardiopulmonar.

Devido ao facto de o reflexo de imersão poder ter reduzido a necessidade de oxigénio durante o período de imersão, deverá tentar-se por todos os meios reanimar a vítima, mesmo quando o tempo que passou debaixo de água seja mais de uma hora. A pessoa deve ser colocada com a cabeça mais baixa do que os pés para que possa expelir a água. Qualquer corpo estranho, como areia ou folhas, que esteja a obstruir as vias respiratórias superiores e que possa ser extraído da boca da vítima, tem de ser retirado de imediato. Se a água estiver fria, a vítima pode ter uma temperatura corporal baixa (hipotermia) e, por isso, precisa de tratamento. (Ver secção 24, capítulo 281)

Todas as vítimas de sufocação parcial devem ser necessariamente hospitalizadas. As tentativas de reanimação devem continuar enquanto são transportadas para o hospital. É necessária a hospitalização até depois de a pessoa ter recuperado a consciência, porque os efeitos da falta de oxigénio podem não ser evidentes de imediato. A vítima deve ser cuidadosamente vigiada para, no caso de surgir qualquer problema, poder ser assistida imediatamente.

No hospital, o tratamento inicial centra-se no cuidado intensivo dos pulmões, para se ter a certeza de que chega oxigénio suficiente ao sangue. Algumas pessoas só precisam de uma máscara facial para receber mais oxigénio; a outras faz-lhes falta um respirador artificial. O respirador é frequentemente utilizado para voltar a insuflar partes colapsadas dos pulmões. São administrados medicamentos para evitar espasmos nas vias respiratórias. O tratamento pode incluir a administração por via endovenosa de soluções que ajudem a restabelecer o equilíbrio químico do sangue, corticosteróides para reduzir a inflamação pulmonar e antibióticos para tratar uma póssivel infecção. Em determinados casos, é necessário fazer transfusões de sangue para repor as células sanguíneas destruídas. Noutros casos, é possível que seja necessário administrar oxigénio utilizando uma câmara de alta pressão (hiperbárica). Apesar de se tomarem diversas medidas para minimizar o dano cerebral, algumas pessoas sofrem lesões cerebrais irreversíveis.