Hiperbilirrubinemia

A hiperbilirrubinemia é uma concentração anormalmente alta de bilirrubina no sangue.

Os glóbulos vermelhos velhos, danificados ou anormais são extraídos da circulação principalmente pelo baço. Durante este processo, a hemoglobina (proteína dos glóbulos vermelhos que transporta o oxigénio) transforma-se num pigmento amarelo chamado bilirrubina. A bilirrubina chega ao fígado através da circulação e ali é quimicamente alterada (conjugada) para depois ser excretada para o intestino como um componente da bílis.

Na maioria dos recém-nascidos, a concentração de bilirrubina no sangue normalmente aumenta de forma transitória durante os primeiros dias posteriores ao nascimento, motivo pelo qual a pele está amarelada (icterícia).

Nos adultos, as bactérias que normalmente se encontram no intestino destroem a bilirrubina, mas o recém-nascido carece destas bactérias e, portanto, grande quantidade de bilirrubina excreta-se nas fezes, adquirindo uma cor amarela intensa. No entanto, o recém-nascido também conta com um enzima no intestino que pode alterar parte da bilirrubina e lhe permite que seja reabsorvida e passe ao sangue, o que contribui para o desenvolvimento da icterícia. À medida que aumenta a concentração de bilirrubina no sangue, a icterícia torna-se mais visível, avançando da cabeça para os pés; ou seja, vê-se primeiro na cara, depois no peito e, por último, nas pernas e nos pés. Normalmente, a hiperbilirrubina e a icterícia desaparecem no fim da primeira semana.

Uma concentração excepcionalmente alta de bilirrubina no sangue pode dever-se a uma sobreprodução de bilirrubina, a uma excreção insuficiente da mesma ou a ambos os motivos. Em certas ocasiões, nos nascidos no termo alimentados com leite materno, os níveis de bilirrubina no sangue aumentam progressivamente durante a primeira semana de vida (uma doença denominada icterícia do leite materno). Não se conhece a razão exacta da icterícia, mas na maioria dos casos não dá problemas. Se a bilirrubina aumenta demasiado, requer-se um tratamento com lâmpadas de bilirrubina.

Na maioria dos casos, o aumento da quantidade de bilirrubina não tem consequências excepcionais, mas uma concentração muito alta pode produzir dano cerebral. Este estado, denominado querníctero, é muito frequente nos recém-nascidos muito prematuros em estado grave.

Tratamento

A hiperbilirrubina ligeira não requer tratamento. A alimentação frequente do recém-nascido acelera a passagem do conteúdo intestinal, reduzindo a reabsorção de bilirrubina no intestino e, portanto, a sua concentração no sangue. Os níveis de bilirrubina mais altos podem ser tratados com fototerapia, um processo mediante o qual se coloca a criança debaixo das chamadas lâmpadas de bilirrubina. Estas lâmpadas emitem uma luz intensa que ilumina a pele da criança e produz uma alteração química nas moléculas de bilirrubina presentes nos tecidos debaixo da pele. Uma vez alterada, a bilirrubina pode ser excretada mais rapidamente pelo fígado sem ter de ser previamente alterada (conjugada) por dilatação. Se o sangue da criança contém níveis de bilirrubina perigosamente elevados, substitui-se por sangue novo (exanguinotransfusão para eliminar a bilirrubina).

Em raras ocasiões, é necessário interromper a lactação durante um ou dois dias se os valores de bilirrubina subirem demasiado numa criança que apresenta icterícia do leite materno. A mãe deve continuar a extrair o leite normalmente e com regularidade para poder iniciar a lactação tão cedo quanto a concentração de bilirrubina da criança comece a diminuir. O reinício da lactação ao cabo deste período não supõe nenhum risco para a criança.




O que é o querníctero
O querníctero é uma doença em que a bilirrubina se acumula no cérebro, causando dano cerebral. O querníctero é actualmente uma doença pouco comum e é mais frequente nos recém-nascidos prematuros ou nos gravemente doentes.
O querníctero começa com sonolência, alimentação escassa e vómitos. A seguir pode verificar-se um arqueamento espasmódico do pescoço e das costas para trás (opistótonos), os olhos rodam para cima, o bebé tem convulsões e pode morrer. Os efeitos posteriores do querníctero incluem atraso mental, controlo muscular anormal (paralisia cerebral), surdez e paralisia do olhar para cima.