Cancros da cabeça e do pescoço

A idade média das pessoas que têm cancros da cabeça e do pescoço (excluindo os cancros do cérebro, dos olhos e da coluna vertebral) é de 59 anos. Em geral, os cancros das glândulas salivares (Ver secção 8, capítulo 98), da tiróide (Ver secção 13, capítulo 145) ou dos seios perinasais afectam pessoas com menos de 59 anos, enquanto os cancros da boca, da garganta (faringe) ou da caixa vocal (laringe) afectam pessoas com mais de 59 anos.

Em termos gerais, os cancros da cabeça e do pescoço propagam-se primeiro até aos gânglios linfáticos próximos. Estes cancros não se disseminam (formam metástases) para outras partes do corpo durante 6 meses a 3 anos. As metástases (cancro que se espalhou do seu ponto de origem até outras partes do corpo) costumam surgir a partir de tumores grandes ou persistentes e é mais provável que se desenvolvam em pessoas cujo sistema imunitário está debilitado.

Causas

Cerca de 85 % das pessoas que têm cancro da cabeça ou do pescoço fumam e consomem álcool, ou fizeram-no no passado. O cancro da boca (oral) também pode surgir por uma higiene oral deficiente, por uma dentadura mal colocada e pelo uso de tabaco em pó ou de mascar. Na Índia, o facto de mascar noz-de-areca é uma das principais causas de cancro da boca. O vírus de Epstein-Barr, que provoca a mononucleose infecciosa, participa no desenvolvimento do cancro da parte superior da faringe (nasofaringe).

As pessoas que há 20 anos ou mais receberam pequenas doses de radioterapia para resolver problemas de acne, de excesso de pêlo facial, de hipertrofia do timo ou das amígdalas e das adenóides correm maior risco de desenvolver cancro da tiróide e das glândulas salivares. Actualmente, a radioterapia deixou de ser utilizada para esses fins.

Classificação por estádios e prognóstico

A classificação por estádios é um método que se usa para determinar a dimensão de um cancro e, assim, contribuir para orientar a terapia e definir o prognóstico. Os cancros da cabeça e do pescoço são classificados conforme o tamanho e a localização do tumor original, o número e o tamanho de metástases nos gânglios linfáticos do pescoço e a evidência de metástases em diferentes partes do corpo. O estádio I é o menos avançado e o IV o mais avançado.

Os tumores que crescem para fora têm tendência a responder melhor ao tratamento do que os que invadem as estruturas circundantes, que formam úlceras ou que são duros. Se o tumor tiver invadido músculo, osso ou cartilagem, a sua cura é menos provável. Para as pessoas com metástases, a possibilidade de viver mais de dois anos é remota. Um cancro que afecte o percurso de um nervo, provocando dor, paralisia ou dormência, provavelmente será muito agressivo e difícil de tratar.

No total, 65 % das pessoas que têm cancro não disseminado vivem pelo menos 5 anos, em comparação com os 30 %, ou menos, daqueles cujo cancro se estendeu aos gânglios linfáticos ou mais além. As pessoas com mais de 70 anos costumam ter intervalos sem doença mais prolongados (as chamadas remissões) e melhores índices de sobrevivência do que os mais jovens.

Tratamento

O tratamento depende do estádio do cancro. Os cancros no estádio I, que se localizem na cabeça ou no pescoço, respondem de forma semelhante à cirurgia e à radioterapia. Em geral, esta última é dirigida não só ao cancro mas também aos gânglios linfáticos localizados dos dois lados do pescoço, já que mais de 20 % destes cancros se propagam aos gânglios linfáticos.

Alguns tumores, fundamentalmente os que têm um diâmetro superior a 2 cm e os que invadiram osso ou cartilagem, extirpam-se cirurgicamente. Se se encontrar ou se suspeitar da presença de cancro nos gânglios linfáticos, a cirurgia costuma ser seguida de radioterapia. Alternativamente, em certos casos pode ser utilizada radioterapia, com ou sem quimioterapia (Ver secção 15, capítulo 166) (tratamento com fármacos anticancerosos), o que produz bons índices de sobrevivência; se o cancro recidivar, pode então recorrer-se à cirurgia. Nos casos de cancro num estádio avançado, a combinação de cirurgia e radioterapia costuma oferecer um prognóstico melhor do que qualquer dos dois tratamentos feitos individualmente.

A quimioterapia mata as células cancerosas no lugar em que se formaram, nos gânglios linfáticos e em todo o corpo. Ainda se desconhece se a combinação de quimioterapia com cirurgia ou radioterapia melhora o índice de cura, mas a terapia combinada efectivamente prolonga a remissão. Se o cancro estiver demasiado avançado para a cirurgia ou para a radioterapia, a quimioterapia pode ajudar a reduzir a dor e o tamanho do tumor.

O tratamento tem quase sempre efeitos adversos. A cirurgia costuma afectar a capacidade de engolir ou de falar; nesses casos, é necessária a reabilitação. A radioterapia pode provocar alterações na pele (como inflamação, ardor e perda de cabelo), cicatrização, perda do paladar, secura na boca e, raramente, destruição dos tecidos normais adjacentes. A quimioterapia pode provocar náuseas e vómitos, perda temporária de cabelo e inflamação da membrana que reveste o estômago e os intestinos (gastroenterite); também pode reduzir o número de glóbulos vermelhos e brancos e debilitar temporariamente o sistema imunitário.