Infecções virais

Um vírus é um minúsculo organismo infeccioso (muito menor que um fungo ou uma bactéria) que necessita de uma célula viva para se reproduzir. O vírus adere a uma célula, geralmente de um tipo específico. Uma vez dentro dela, liberta o seu ADN ou ARN (que contém a informação necessária para criar novas partículas de vírus) e assume o controlo de alguns processos metabólicos da mesma. Como consequência, os componentes do vírus são fabricados dentro da célula e reunidos adequadamente para que o vírus seja libertado e continue a manter a sua capacidade infectante.

O que sucede à célula depende do tipo de vírus. Alguns matam as células que infectam. Outros alteram a função celular ao ponto de a mesma perder o controlo sobre a sua divisão normal e tornar-se cancerosa. Alguns vírus incorporam uma parte da sua informação genética no ADN da célula hospedeira, mas permanecem inactivos (ou latentes) até que a mesma seja alterada, permitindo então que o vírus emerja de novo.

Geralmente os vírus possuem um hospedeiro preferido. Alguns, como o da gripe, podem infectar os humanos e uma variedade de outros animais. De qualquer modo, algumas variedades de gripe adaptaram-se de tal forma que conseguem infectar uma espécie de animal mais eficientemente do que outras. Quase todos os vírus que se encontram frequentemente nos seres humanos são transmitidos de pessoa a pessoa. Alguns, como o da raiva ou o da encefalite, infectam principalmente os animais e só ocasionalmente os homens.

O organismo possui um número de defesas específicas e não específicas contra os vírus. As barreiras físicas, como a pele e as membranas mucosas, impedem-nos de chegar facilmente ao interior do corpo. As células afectadas produzem interferão (ou interferões), uma família de glucoproteínas capazes de fazer com que as células não afectadas se tornem mais resistentes à infecção desencadeada por muitos vírus.

Se um vírus penetrar no organismo, variedades distintas de glóbulos brancos, como os linfócitos, são capazes de atacar e destruir as células infectadas. (Ver secção 16, capítulo 167) Os dois tipos principais de linfócitos são os chamados B e T. Quando se encontram expostos a um ataque por um vírus, os linfócitos T aumentam em número e amadurecem tanto no sentido de células colaboradoras, que ajudam os linfócitos B a produzir anticorpos, como no de células citotóxicas (assassinas, killer cells), que atacam as células infectadas por um vírus específico. Os linfócitos T também geram substâncias químicas (chamadas citocinas) que aceleram esse processo de maturação. (Ver secção 16, capítulo 167) As citocinas dos linfócitos colaboradores podem ajudar os linfócitos B e outras séries celulares que derivam deles, as células plasmáticas, a produzir anticorpos que se ligam a determinados vírus e suprimem a sua capacidade infecciosa antes que infectem outras células.

Pode-se gerar imunidade administrando vacinas. Estas são preparadas de forma tal que se assemelhem a um vírus específico, como o vírus que causa a gripe ou o sarampo, para que seja administrado às pessoas sem provocar doença. Em resposta a uma vacina, o organismo aumenta o número de linfócitos B e T, que são capazes de reconhecer o vírus específico. Desta forma, as vacinas podem produzir imunidade face a um vírus específico. Actualmente existem muitas vacinas que evitam infecções frequentes e graves, tais como a gripe, o sarampo, a poliomielite, a varicela, a raiva, a rubéola (sarampo alemão), as hepatites A e B, a encefalite japonesa e a febre amarela. (Ver secção 17, capítulo 172) Todavia, por vezes, um vírus altera-se (sofre mutação) para evitar o anticorpo da vacina e então é necessário repetir a vacinação.

É possível adquirir protecção imediata contra uma infecção viral, recebendo uma injecção ou uma infusão de imunoglobulinas. A referida infusão contém anticorpos que foram produzidos por outra pessoa ou então por um animal. Por exemplo, quem viaja para uma zona com prevalência de hepatite A pode receber uma injecção de imunoglobulina contra este tipo de hepatite. Contudo, a imunoglobulina pode fazer com que algumas vacinas, como a do sarampo ou a da poliomielite, sejam menos eficazes se forem aplicadas ao mesmo tempo.

Os medicamentos que combatem as infecções virais recebem o nome de fármacos antivirais. (Ver secção 17, capítulo 173) Existem muito menos fármacos antivirais do que antibacterianos (antibióticos). Em comparação com a maioria dos antibióticos, os fármacos antivirais costumam ser mais difíceis de produzir, mais específicos para o organismo contra o qual estão destinados a agir e, em regra, mais tóxicos. Os antibióticos não são eficazes contra as infecções virais, mas, se alguém tiver uma infecção por bactérias além da viral, costuma ser necessário administrar um antibiótico.