O cancro e o sistema imunitário

O sistema imunitário ataca e elimina não apenas as bactérias e outras substâncias estranhas, mas também as células do cancro. Uma célula cancerosa não é uma célula estranha; é uma célula cuja função biológica foi alterada de tal forma que não responde aos mecanismos normais do corpo que controlam o crescimento e a reprodução da mesma. As células anormais podem continuar a crescer, transformando-se em cancro.

No sistema imunitário, uma boa parte da defesa do organismo contra o cancro é levada a cabo directamente pelas células, mais do que pelos anticorpos que circulam no sangue. (Ver secção 16, capítulo 167) Por exemplo, a presença de antigénios tumorais sobre as células cancerosas pode activar certos glóbulos brancos (linfócitos e, num grau muito menor, monócitos), os quais realizam uma vigilância imunológica, procurando as células cancerosas e destruindo-as.

O papel fundamental do sistema imunitário de controlar o desenvolvimento de uma célula cancerosa é exemplificado por uma estatística surpreendente: o cancro tem 100 vezes mais possibilidades de aparecer nas pessoas que tomam medicamentos que inibem o sistema imunitário (por exemplo, por causa do transplante de um órgão ou de uma doença reumática) do que nas que têm um sistema imunitário normal. Além disso, algumas vezes um órgão transplantado tem um cancro que não foi diagnosticado antes do transplante. Este cancro podia ter crescido muito lentamente ou nem sequer ter crescido de todo no órgão do dador. Contudo, começa a crescer e a espalhar-se rapidamente no doente transplantado, cujo sistema imunitário está anulado pelos medicamentos fornecidos para proteger o transplante. Em geral, quando os medicamentos que diminuem a resposta imunológica são suspensos, o órgão transplantado é rejeitado e o cancro transplantado é igualmente destruído.