Perturbações das células plasmáticas

As perturbações das células plasmáticas (discrasias de células plasmáticas, gamapatias monoclonais) são doenças pelas quais um grupo (clone) de células plasmáticas se multiplica excessivamente e produz uma grande quantidade de anticorpos anormais.

As células plasmáticas originam-se a partir dos linfócitos, um tipo de glóbulo branco que habitualmente produz anticorpos que ajudam a combater uma infecção. Há milhares de tipos de células plasmáticas distintas que principalmente se encontram na medula óssea e nos gânglios linfáticos. Cada célula plasmática divide-se e multiplica-se para formar um clone, composto de muitas células idênticas. As células de um clone produzem um único tipo específico de anticorpo (imunoglobulina). (Ver secção 16, capítulo 167)

Nas perturbações de células plasmáticas, um clone de células plasmáticas cresce exageradamente e produz em excesso um tipo de molécula semelhante a um anticorpo. Como estas células e os anticorpos que produzem não são normais, não protegem o corpo das infecções. Além disso, a produção normal de anticorpos muitas vezes diminui e a pessoa torna-se mais susceptível às infecções. O número crescente de células plasmáticas anormais invade e lesa vários tecidos e órgãos.

Nas gamapatias monoclonais de significado incerto, as células plasmáticas são anormais, mas não cancerosas. Produzem uma grande quantidade de anticorpos anormais, mas não costumam ocasionar problemas de importância. Estas perturbações muitas vezes permanecem estáveis durante anos (chegando aos 25 anos em algumas pessoas) e não requerem tratamento. São mais frequentes nos idosos. Por razões desconhecidas, em 20 % a 30 % dos casos estas perturbações evoluem para um mieloma múltiplo, um cancro de células plasmáticas. O mieloma múltiplo aparece de forma brusca e habitualmente requer tratamento. A macroglobulinemia, outra perturbação de células plasmáticas, também pode desenvolver-se em pessoas com gamapatias monoclonais de significado incerto.