Perturbações da glândula tiróide

A tiróide é uma pequena glândula que mede cerca de 5 cm de diâmetro situada no pescoço sob a pele e por baixo da maçã-de-adão. As duas metades (lobos) da glândula estão ligadas na parte central (istmo), de tal maneira que parecem a letra H ou um nó de lacinho. Normalmente a glândula tiróide não se consegue ver e mal se pode palpar. Só no caso de aumentar de volume pode o médico palpá-la facilmente como uma protuberância proeminente (bócio) que aparece por baixo ou aos lados da maçã-de-adão.

A glândula tiróide segrega as hormonas tiróideas, que controlam a velocidade das funções químicas do corpo (velocidade metabólica). As hormonas da tiróide têm dois efeitos sobre o metabolismo; estimular quase todos os tecidos do corpo a produzir proteínas e aumentar a quantidade de oxigénio que as células utilizam. Quando as células trabalham mais intensamente, os órgãos do corpo trabalham mais depressa.

Para produzir hormonas tiróideas, a glândula tiróide precisa de iodo, um elemento que os alimentos e a água contêm. Esta glândula concentra o iodo e processa-o no seu interior. Quando as hormonas tiróideas se consomem, um pouco do iodo contido nas hormonas volta à glândula tiróide e é reciclado para produzir mais hormonas.

O organismo serve-se de um mecanismo complexo para ajustar a concentração de hormonas tiróideas presente em cada momento. Em primeiro lugar, o hipotálamo, localizado no cérebro sob a hipófise, segrega a hormona libertadora de tirotropina, a qual faz com que a hipófise produza a hormona estimulante da tiróide, ou tirotropina. Tal como o nome sugere, esta estimula a glândula tiróide para produzir hormonas tiróideas. Quando a quantidade de hormonas tiróideas circulantes no sangue atinge uma certa concentração, a hipófise reduz a produção de hormona estimulante da tiróide. Quando esta concentração diminui, aumenta a produção de hormona estimulante (mecanismo de controlo mediante retroalimentação negativa).

As hormonas da tiróide encontram-se em duas formas. A tiroxina (T4), que é a forma produzida na glândula tiróide, tem apenas um efeito ligeiro na aceleração da velocidade dos processos metabólicos do corpo. A tiroxina converte-se no fígado e outros órgãos numa forma metabolicamente activa, a triiodotironina (T3). Esta conversão produz aproximadamente 80 % da forma activa da hormona; os 20 % restantes são produzidos e segregados pela mesma glândula tiróide. Muitos factores controlam a conversão de T4 em T3 no fígado e nos outros órgãos, incluindo as necessidades do organismo em cada momento. A maior parte das formas T4 e T3 une-se a certas proteínas no sangue e é activa apenas quando não estiver ligada a elas. Deste modo singular, o organismo mantém a quantidade correcta de hormonas tiróideas, necessária para conservar uma velocidade metabólica estável.

Para que a glândula tiróide funcione normalmente, é necessário que muitos factores actuem muito estreitamente: o hipotálamo, a hipófise, as proteínas transportadoras de hormona tiróidea (do sangue) e a conversão, no fígado e nos outros tecidos, de T4 a T3.

Exames de laboratório

Para determinar a eficiência do funcionamento da glândula tiróide, utilizam-se vários exames de laboratório. Um dos mais comuns é o exame para medir a concentração da hormona estimulante da tiróide no sangue. Considerando que esta estimula a produção de hormona tiróidea, as suas concentrações no sangue são elevadas quando a glândula tiróide é pouco activa (e por isso precisa de maior estímulo) e baixas quando é hiperactiva (e por isso precisa de menor estímulo). Se a hipófise não funcionar de forma normal (embora isto raramente aconteça), o valor de hormona estimulante da tiróide, por si só, não reflectirá exactamente o estado de funcionamento da glândula tiróide e proceder-se-á então à medição do valor de T4 livre.

Localização da glândula tiróide

A medição da concentração da hormona estimulante da tiróide e da de T4 livre que circulam no sangue é, em geral, tudo o que é preciso. Contudo, também pode ser necessário determinar a concentração de uma proteína chamada globulina ligada à tiroxina, dado que os seus valores anormais podem conduzir à má interpretação da concentração total das hormonas tiróideas. As pessoas com insuficiência renal, algumas perturbações genéticas ou outras doenças ou que tomem esteróides anabolizantes apresentam valores mais baixos de globulina ligada à tiroxina. Pelo contrário, os valores de globulina ligada à tiroxina podem ser mais altos do que o normal em mulheres grávidas ou que tomem anticoncepcionais orais ou outras formas de estrogénios e nas pessoas que sofram os estados iniciais da hepatite ou também algumas outras doenças.

Alguns exames realizam-se na própria glândula tiróide. Por exemplo, se o médico se aperceber de um crescimento anormal desta, pode realizar-se uma ecografia (exame com ultra-sons); este procedimento utiliza ondas de som para determinar se o crescimento é sólido ou contém líquido. A gamagrafia da tiróide utiliza iodo radioactivo ou tecnécio e um dispositivo para reproduzir uma imagem que mostre qualquer anomalia física. A gamagrafia da tiróide é útil para determinar se uma zona da glândula funciona de maneira normal ou se é hiperactiva ou pouco activa, comparada com o resto da glândula.

Em raras ocasiões, quando o médico não está seguro de que o problema se encontra na glândula tiróide ou na hipófise, ordena exames de estimulação funcional. Um destes exames consiste em injectar uma hormona libertadora de tirotropina por via endovenosa e a seguir realizar as análises ao sangue pertinentes para medir a resposta da hipófise.